Neste momento, ingrediente(s)
bate(m) um milk shake.

Quem faz o Milk Shake

Mayra Cunha
Jornalista, publicitária, radialista e produtora de TV


Então o médico chegou e me disse: "Você tá prontinha pra ter filhos!", como se fosse assim, como quem vai à quitanda e pede "Seu Joaquim, dá dois filhos pra viagem, por favor!". É assim não, meu bem!! Calma que tudo tem a sua hora. É só fazer trinta anos que todo mundo começa a achar que você tá desesperada.

Essa sou eu: questionadora, tagarela, agitadíssima, com um pé no chão e o outro na Lua. Mulher, amante e namorada. Pessoa apaixonada pela vida. E sem filhos, por enquanto.

Adoro literatura, erótica em particular. Ouço música como passatempo. Leio compulsivamente. De livros a bulas de remédio. Gosto também de ler ingredientes de produtos alimentícios. Escrevo na mesma proporção que falo.

Sou cinéfila viciada. Amo Felinni, Tarantino, Hitchcock e Almodóvar. Acho Godard um saco. Sou louca por pizza, sushi, comida mexicana e a omelete da minha avó, que mando buscar do Piauí. Gosto de chocolate e tudo feito com coco. Sou mulher de forno e fogão. Adoro fazer comidinhas pros amigos e "enfeitar a noite do meu bem". Brindar com eles também. Acho lindo o barulho do "tim-tim".

Digo uma bobagem atrás da outra. Sou a rainha dos trocadilhos infames. Sonho em um dia comprar um avião só pra morar dentro e virar nômade profissional. Amo viajar.

Tenho asma desde criança. Comecei a falar aos 9 meses de vida e não parei até hoje. Coloco alho e azeite em tudo. Tenho intolerância à lactose mas abstraio isso sempre que possível. Meu estômago não agradece. Gosto de ir passear no Extra e no Pão de Açúcar quando não tenho nada pra fazer, só pra ver o que tem de novo no mercado. Adoro os rótulos e as embalagens. Devo ser mesmo doida. Mas tem gente pior. Acredite.

Tenho 1,58m de altura de área-muito-útil. E a língua bem afiada. Gesticulo tentando acompanhar a fala, mas às vezes fica difícil. Tenho defeitos como todo mundo. Um deles é ser intensa ao quadrado. Talvez ao cubo.

Amo demais. Tenho amigos demais. Sou cercada por gente do bem. Ainda bem. Escolhi o budismo como religião, embora muitos não acreditem que eu possa um dia alcançar a iluminação. É uma eterna busca pelo interruptor. Eu não tenho pressa.

Minha mãe costuma dizer que caí num caldeirão de Red Bull quando criança, tal qual o Obelix. Tenho energia de sobra, pro que der e vier. Odeio quiabo e qualquer coisa-ou-criatura que babe. Amo o Nordeste e tudo o que vem de lá, menos as comidas terminadas em ADA (rabada, panelada e buchada).

Tenho uma família linda e um namorado-anjo-da-guarda. Gosto de bichos mas detesto ratos. Sou capaz de escalar o Himalaia em 5 segundos se aparecer um na minha frente.

Trago 3 cicatrizes no queixo por não parar quieta, um nariz meio arrebitado que faz muitos acharem que sou arrogante (as aparências enganam) e voz de aeroporto ("Em Brasília, sete horas..."). Tenho preguiça de fazer um monte de coisas e pilha pra várias outras. Apenas sucumbo.

Dou gargalhadas e fico séria nas horas erradas. Sou mais chorona que imagem de santa milagrosa em cidade pequena. Nunca engessei nenhuma parte do corpo, mas há quem jure que isso tem os dias contados.

Tenho problemas com esportes, principalmente se tiverem bola no meio. Adoro uma sinuca, talvez por fingir ser uma loteria e torcer pra acertar alguma caçapa. Me divirto em qualquer lugar. Se não me divertir, é porque ainda não me concentrei 100% na proposta.

Adoro vírgulas, gosto de pontos e odeio reticências. Sofro de dislexia nos dedos e não consigo parar de digitar depois que começo, como podem ver.

Em suma, sou feliz, desse jeito. Simples assim. E há quem goste. Ô, se há. Eu garanto.


Último filme que viu:
Sex and the City, de Michael Patrick King, EUA



Livro que está lendo:
Vozes Roubadas - Diários de Guerra, org. Zlata Filipovic e Melanie Challenger



Pelo canudo
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leitecomsorvete@terra.com.br

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Sem Juízo
Terehell
Para ver
A Grande Arte, de Walter Salles Jr.
A Trapaça, de Federico Fellini
Amor, Estranho Amor, de Walter Hugo Khouri
Carandiru e Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, de Hector Babenco
Chinatown e Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski
Coração Selvagem e Cidade dos Sonhos, de David Lynch
Cortina de Fumaça, de Wayne Wang
Crime e Castigo, de Josel Von Sternberg
Dersu Usala, de Akira Kurosawa
Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha
Doutor Jivago, de David Lean
Happinness (Felicidade), de Todd Solondz
Kama Sutra, de Mira Nair
Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica
MASH e O Jogador, de Robert Altman
Metropolis e M., O Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang
Meu Tio, de Jacques Tati
Nós que nos Amávamos Tanto e O Baile, de Etore Scola
O Despertar da Besta, do Zé do Caixão
O Expresso da Meia-Noite, de Alan Parker
O Jardim dos Prazeres e O Homem que Sabia Demais, do Hitchcock
O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman
O Último Tango em Paris de Bernardo Bertolucci
Os Amantes do Nudismo, do Copolla
Os Cafajestes e Estorvo, de Ruy Guerra
Os Incompreendidos, de François Truffaut
Outubro, de Eisenstein
Parayba, Mulher Macho, de Tizuka Yamazaki
Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder
Rocco e seus Irmãos, de Luchino Visconti
Soberba, de Orson Welles
Spider, de David Cronenberg
Subway, de Luc Besson
Um Cão Andaluz e Os Esquecidos, do Buñuel
Z, de Costa-Gravas

Já vistos em 2008

1. Na Companhia do Medo, de Mathieu Kassovitz
2. Onde os Fracos Não Têm Vez, dos Irmãos Coen
3. Juno, de Jason Reitman
4. Conduta de Risco, de Tony Gilroy
5. Bagdad Café, de Percy Adlon
6. Meu Nome Não é Johny, de Mauro Lima
7. Antes que Termine o Dia, de Gil Junger
8. Rambo IV, de Sylvester Stallone
9. P.S. Eu Te Amo, de Richard LaGravanese
10. Homem de Ferro, de Jon Favreau
11. Indiana Jones, de Steven Spielberg
12. Jogos do Poder, de Mike Nichols
13. Sex and the City, de Michael Patrick King

Para ler
A Festa do Bode, de Mario Vargas Llosa
A Greve do Sexo — Lisístrata, de Aristófanes
A Vênus das Peles, de Masoch
Adeus, Hemingway, de Leonardo Padura
Antologia Pornográfica, de Alexei Bueno
Borges em/e/sobre Cinema, de Edgardo Cozarinsky
Decameron, de Giovanni Boccaccio
Erotica Argentina, org. Alejandra Zina
Pequenos Pássaros, de Anaïs Nin
Fazer um Filme, de Federico Fellini
Kama Sutra ou Aforismos sobre o Amor, de Vatsyayana
Lúcia McCartney, de Rubem Fonseca
O Livro do Corpo, org. por Sergio Faraco
O Sofá, de Crébillon Fils
Os Cento e Vinte Dias de Sodoma, de Marquês de Sade
Os Crimes do Amor, de Marquês de Sade
Os Leopardos de Kafka, de Moacyr Scliar
Plexus e Nexus, de Henry Miller
Sol das Almas, de Hermilo Borba Filho
Teresa Filósofa, Anônimo Séc. XVIII
Um Filme Por Dia, textos de Antonio Moniz Vianna, org. Ruy Castro
Uma Espiã na Casa do Amor, de Anaïs Nin

Já lidos em 2008

1. Fup, de Jim Dodge
2. Só para Fumantes, de Julio Ramón Ribeyro
3. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol
4. Elas Gostam de Apanhar, de Nelson Rodrigues

Leite derramado
Links
Informação & Inutilidade
Milk Shake

Segunda-feira, Agosto 18, 2008



Olá, caríssimos.

Eu mudei de casa, em definitivo. Depois de 5 anos neste endereço, decidi mudar pro sistema da Google. Mais ágil, prático e simples de se lidar. Aqui eu sempre tenho que ficar mexendo no código HTML a qualquer problema e isso às vezes dá uma preguiiiiiiiiiiiiiiiiça!!!!!!!!

Pros mais saudosos, aviso que o bom e velho Milk Shake vai continuar existindo, com alguns posts antigos que selecionei, até que a Globo.com decida sumir com ele de vez da web.

E sejam muitíssimo bem-vindos à minha nova casa:

www.mayramilkshake.blogspot.com

Beijinhos agradecendo a compreensão e aguardando a visitinha ilustre de cada um de vocês. Afinal, estou voltando à ativa e de casa nova.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Quinta-feira, Abril 03, 2008



Chorando pra não rir


três dias completei 32 anos. Aniversário é um negócio que eu gosto de comemorar. Desde 2003 costumo fazer a "Mayratona de Aniversário". Funciona assim: monto um calendário de uns 5 a 7 dias seguidos em que haverá algum tipo de comemoração. Listo os dias, lugares e horários onde as pessoas poderão me encontrar e me dar aquele abraço. Uma verdadeira maratona. Bom que ninguém me vem com aquela desculpa de "ah, não pude ir" porque tinha isso ou aquilo. Tem dias de sobra pra tooooodo mundo se agendar. E sim, eu sou carente de atenção.

Este ano a Mayratona diminuiu um pouco de tamanho. Foram apenas 4 dias, comemorados cada vez, com um grupo distinto. Coisa de mulher que passou dos trinta. Primeiro, um jantar romântico. No dia seguinte, um jantar com família e amigos, num restaurante bacaninha. Ressucitei no terceiro dia e participei de um pequeno almoço familiar em casa. Por fim, 4 dias depois, reuni outros amigos queridos numa pizzaria para um rodízio de vinho. Ou teria sido o contrário??? Hummm (cara de dúvida).

Acontece que uma das comemorações merece ser relatada. E se merece. No primeiro dia, saí pro jantar romântico com o Namorado. Aquela coisa bem momento-a-dois, restaurante francês e brinde com champanhe. Eu diria que foi lindo, foi mágico. Uôu.

Pois bem, por volta das 11 da noite, pagamos a conta e voltamos pra casa. No meio do caminho, estava desabando uma tempestade. Com tufão e tornado, sabem? Twister virava brincadeira, juro. Chuva suficiente pra uma semana inteirinha, com direito a show pirotécnico de relâmpagos e foguetes estrondosos de trovão. Se isso era algum tipo de homenagem à minha pessoa, confesso que achei dispensável. Deu medo dirigir naquele temporal.

Conseguimos, enfim, chegar em casa. E o temporal continuava. Logicamente, estava faltando luz no bairro todo e tivemos que encarar meu lindo guarda-chuva-vermelho-de-bolinhas-brancas, já que não dava pra contar com o portão eletrônico. Foi aí que tudo aconteceu... Na agonia de sair do carro, somado a abrir o guarda-chuva, somado a aguardar o Namorado vir ao meu encontro, somado a equilibrar a bolsa e as chaves do portão na outra mão, eis que nós dois nos desequilibramos, tropeçamos e caímos na calçada. Mais especificamente, no concreto. Não necessariamente nesta ordem. E não perguntem de quem foi a culpa, porque nem a gente sabe. O que eu lembro é do Namorado se levantando do chão, do meu joelho doendo, minha mão esfolada e o mais interessante de todo o evento: farelos dos dois dentes da frente se espalhavam pela minha boca. Sim, sim. Caí de cara e espatifei dois dentes um dia antes da grande comemoração do meu aniversário. Contando, ninguém acredita. E era uma noite de sexta pra sábado. Alguém aí tem noção do tamanho do estrago??? Eu e o Namorado temos.

Entrei em casa sem saber o que fazia primeiro. Se passava uma água no joelho ou se corria pro banheiro pra lavar minha boca, que neste momento era só sangue (aliás, como sai sangue da boca, hein??). Agora visualizem a cena: Mayra no lavabo tentando lavar a boca e ver, com ajuda da luz do celular (estávamos no escuro, lembram?), em que situação se encontrava. Tentei manter a calma até que minha mãe se aproximou com uma vela. Não teve jeito, quando me vi igualzinha a quando tinha 7 anos de idade, com janelinhas na frente, caí no choro. Nem vem me reprimir porque você não teria feito diferente.

- Putamerda!!! Como é que vou receber convidados amanhã com esta cara??? Com esta boca? Com este sorriso ridículo??

- Calma, minha filha. Sabe que tá até charmosinho???
(mães, sempre elas com suas frases...).

Então meu primo, que na ocasião fazia uma visita à minha casa e ficou preso pelo temporal, diz que tem um amigo dentista e liga pra ele. Pronto, tudo resolvido. O cara topou me atender no sábado pela manhã. Não fosse pela situação um tanto quanto peculiar do telefonema:

- Oi Mayra, aqui é o Mayron (isso mesmo, este era o nome dele).
- Oi Mayron, você vai me salvar?
- Claro que vou, Mayra. Amanhã você vai estar sorrindo lindo de novo.
- Ai, que bom, Mayron. Seu lugarzinho no céu já está garantido.


Pois é. Foi assim. Acordei cedo, resinei tudo-e-mais-um-pouco e saí do consultório – que diga-se de passagem, abriu única e exclusivamente só pra me atender – feliz e contente. Santo Mayron!!! O lábio superior, inchado por conta da porrada e dos cortes, foi resolvido com um bom antiinflamatório. No joelho, um bom curativo e muito carinho do Namorado, que não saiu ileso: um joelho machucado e um dolorido. Ah, e que me ligou logo que terminei a consulta dizendo que tinha encontrado um pedaço do meu dente na calçada na frente de casa. Um abraço pro dente, meu bem. E pra calçada, também. Eu agora sou a Mrs. Resina.

À noite, durante o jantar, eu era só sorriso. Obviamente, mostrei pra todo mundo a foto da minha janelinha que tratei de fazer com o celular, enquanto dirigia pro dentista. Afinal, a gente tem que aprender a rir das desgraças, mesmo que seja um sorriso banguela, não é mesmo??

E assim seguiu minha Mayratona, que deu super certo. Ano que vem tem mais. Só espero que o acaso não me invente nada, já que virá o projeto "Diga tlinta e tlês".

Beijinhos de mulher renovada, amadurecida e de sorriso Kolinos. Ano novo, dentes novos!

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Quinta-feira, Agosto 09, 2007



Come on baby, light my fire!


Temos em casa uma cozinha caipira, daquelas de fazenda. Com direito a forno e fogão à lenha, armário decorado com chita e abanador de palha. Tudo isso com a piscina de um lado e o jardim do outro. E bem no meio da cidade. Melhor não podia ser. Arzinho de fazenda em pleno mundo civilizado. Bom que não tem mato nem tem bicho (não me entendo bem com eles). E tem telefone, luz elétrica e internet. Show!

Tão show que outro dia resolvi receber alguns amigos que não via há séculos na tal cozinha pra um Queijos & Vinhos. Cheguei mais cedo do trabalho pra arrumar as coisas e fui me aventurar a acender o fogão à lenha. Queria dar uma "aquecidinha" no local, já que tem feito um frio danado por aqui. Afinal, o fogão também pode servir de lareira, concordam??

Confesso que nunca tinha tentado acendê-lo sozinha. Sempre tem alguém que faz isso por mim. É que nem trocar pneu furado: você sabe que sabe, mas sempre aparece um bom samaritano pra te ajudar e você perde a chance de provar suas habilidades. Fui querer me meter a besta de preparar o ambiente quentinho pros convidados e percebi que, decididamente, eu não tenho o menor talento pra coisa. Ainda mais com minhas mãos nervosas.

Comecei procurando um fósforo (vocês não queriam que eu ficasse raspando pedras, né?). Todas as caixas espalhadas pela casa estavam vazias. Ou seja, não tinha fogo nem de fósforo e nem de isqueiro, já que a fumante da casa tava viajando. Mas eu queria taaanto acender aquele fogão...

Então eu volto ao fogão à lenha, posiciono as madeiras e tenho uma brilhante idéia pra resolver o meu problema: é só acender uma das bocas do fogão a gás láááá na cozinha, dentro de casa. Aí eu taco fogo num pedaço de jornal e levo a tocha até o jardim pra acender a lenha. Mayra, você é um gênio!

Beleza. Lá venho eu correndo (sim, porque o jornal queima muito rápido e podia queimar a minha mão) com uma tocha pelo meio da casa até chegar na cozinha caipira. Defumando todo o ambiente. Cena linda de se ver. Começo a socar o papel-pegando-fogo no buraco do fogão e espero a lenha pegar. Assim, como quem espera um milagre. Então vejo o jornal se queimar todinho e nenhum pedaço de madeira ficar ao menos chamuscado.

"Já sei!! Vou molhar a lenha com álcool!! Aí não vai ter jeito de não pegar!!", penso. E lá venho eu, de novo, me sentindo a própria atleta do Pan, correndo com aquela tocha na mão. Mais uma vez, "soco" o papel na lenha alcoolizada e espero pegar fogo. Pegar, até que pegou. E apagou na mesma velocidade. Vai ver estava bêbada demais pra fazer o serviço direito. "Deve ser a lenha. Esses pedaços de madeira estão ruins. Vou pegar galhos de verdade". Isso, Mayra, tenta de tudo, vai...

Dirijo-me ao fundo do quintal no escuro. Chego perto do monte de lenha e começo a selecionar cuidadosamente as melhores, tentando equilibrar uma micro-lanterna-de-chaveiro numa mão e as lenhas na outra. De repente, não mais que de repente, uma gangue de formigas assassinas resolve tomar conta dos meus sensíveis pés. Começo a "sambar" com um monte de pedaços de pau nas mãos e saio correndo-e-saltitando-e-gritando feito louca pelo jardim. Na brincadeira, um pedaço de madeira mal cortado e com espinhos tira um "naco" do meu dedo. Começa a pingar sangue pra todo lado. O saldo da minha grande idéia: dois pés cheios de picadas, um rasgo no dedo e uma calça jeans que mais parece ter tomado um banho de bloody mary, de tão suja de vermelho.

Ok. Ok. Mas eu consegui trocar a lenha. Embebedei as toras de novo. Pela terceira vez, fiz o percurso com a tocha, me sentindo a própria Estátua da Liberdade. Dessa vez eu tinha certeza de que aquele fogo iria acender. E é claro que não acendeu.

Mandei o fogão, a lenha e o fogo "praquele lugar". Troquei de roupa, passei um perfuminho pra tirar o cheiro de fumaça e voltei pro local do crime. Muita calma nessa hora. Peguei uma taça, abri um dos vinhos que aguardavam pelos convidados e tomei um bom trago. Sentada na mesa ouvindo um jazzinho ótimo, aguardei calmamente algum homem chegar e resolver a parada. Depois dizem que lugar de mulher é na cozinha...

Claro que tudo deu certo no final e tivemos nossa lareira. A raiva só bateu quando vi o namorado acender o fogo em menos de cinco minutos, usando as primeiras lenhas (aquelas que eu achei que eram ruins), nada de álcool e, principalmente, sem pagar o mico da tocha olímpica. Mas quem teve história pra contar quando os convidados chegaram e perguntavam o que era aquele band-aid no dedo... era eu!!! Lá, lá láááá!!

Tim-tim, um cápsula de lactase e muito queijo na veia. É, a noite foi ótima.

Beijinhos de mulher da cidade que não consegue nem acender uma lenha dentro da própria casa.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Terça-feira, Dezembro 19, 2006



No aniversário de 15 anos:

- Mayra, quer ir pra Disney?

- Disney? De jeito nenhum, mãe! Eu sou comunista (Eu acreditava que era, gente, juro pra vocês. Adolescência é uma coisa linda!). Militante estudantil da UJS (União da Juventude Socialista). Não piso naquela terra de ianques!! Quero ir pra Europa daqui a alguns anos. Pode ser?

No aniversário de 18 anos:

- Mayra, quer um carro de presente?

- Carro?? Eu nem sei dirigir, pai (tirei carteira aos 21 anos... pessoa que não se preocupava com isso)! Quero ir pra Europa daqui a alguns anos. Pode ser?

No aniversário de 21 anos:

- Mayra, quer o carro agora que você tirou a carteira? Ou quer ir pra Europa?

- Quero carro não, mãe. Nem ir pra Europa agora. Só daqui a alguns anos. No momento estou indo morar sozinha e preciso é de uma máquina de lavar roupa e de um fogão. Pode ser? (a pessoa virou "Amélia" cedo).

No aniversário de 29 anos (já motorizada, a essa altura):

- Mãe... pai... será que vocês me dariam de presente de 30 anos as passagens pra minha viagem pra Europa? O resto da grana pra levar eu junto.

- Claro, minha filha! Afinal, você esperou 15 anos pra ir!!!


Faltando 3 meses pro aniversário de 30 anos:

- Mãe... pai... é o seguinte... capotei meu carro. Eu tô bem, mas o veículo deu perda total e eu não tinha seguro. Vou usar o dinheiro que juntei pra ir pra Europa pra comprar outro carro e preciso de uma ajudinha de vocês pra pagar um seguro desta vez. Vou adiar a viagem pra daqui a um ou dois anos... Pode ser???

Mês passado (novembro de 2006):

- Mayra, vamos passar o reveillon em Paris esse ano? (não é "reveião", é "reveillon", porque é em Paris).

- Hein? Namorado, você surtou??

- Não!! Andei foi fazendo as contas... você consegue hospedagem pra gente lá??? Se não pagarmos o hotel, vamos gastar a mesma coisa que gastaríamos com passagem + hospedagem indo pro Rio de Janeiro (nossa idéia inicial). E eu sei que você quer ir... eu também tinha planos de ir um dia... Que tal??

- Oh my Gawd!!!! Você tá falando sério??? Tem certeza de que dá pra gente ir??? Isso não é um convite, é praticamente um presente de natal!!! É lógico que eu consigo hospedagem!! (isso é que dá conhecer gente a dar com pau e ter amigos espalhados pelo mundo todo). Amanhã mesmo já ligo pra minha agente de viagens pra ver as passagens!!! Não é possível que a gente não encontre algo dentro do nosso orçamento! Uhuuuuu!!!!

Liguei pra minha melhor amiga da sétima série que mora em Paris há 16 anos (mantemos contato até hoje) e ouvi:

- Como assim você tá me perguntando se eu te hospedo? Pirou, Mayra??? Bebeu gás?? Não só hospedo como empresto o apartamento pra vocês ficarem a sós na cidade mais romântica do mundo e curtirem uma lua-de-mel. Vou pra casa do meu namorado com todo prazer!! Nem acredito que finalmente você tá vindo me visitar!!!!! Ah, e não se preocupa com roupa de frio porque eu tenho tudo aqui e você usa meus casacos.

- Patrícia... eu te amo, o meu sangue ferve por você! (Hahahahahahaha).

E assim aconteceu. Depois de quinze anos planejando ir pra Europa, meu anjo-da-guarda me fez perceber que é possível realizar um sonho sem precisar arrumar tantos obstáculos para adiar os planos (mamãe e papai estão tão felizes e animados quanto eu).

um mês que minha vida se resume a estudar o mapa de Paris, do metrô e do trem. Criar roteiros, conversar com amigos, pegar dicas, conselhos e sugestões. Correr pra fazer passaporte (a pessoa vai sair do país pela primeira vez na vida), comprar passagens, contratar seguro-saúde. Monitorar o sobe-e-desce do Euro, providenciar cartão pra saque no exterior. Assistir (de novo) O Fabuloso Destino de Amelíe Poulain, Antes do Pôr-do-Sol, Jules e Jim e Os Amantes du Pont Neuf, olhando cuidadosamente os takes da cidade. Relembrar o pouco de francês que aprendi em menos de um ano de curso... e sonhar... sonhar...

Tudo isso com um sorriso besta estampado na cara. O semblante de uma criança que vai ganhar um brinquedo novo no natal e não vê a hora de abrir o pacote.

É isso, caros amigos. Estou tão extasiada, tão eufórica, tão ansiosa, que vocês não podem imaginar. Eu e o namorado vamos ficar 9 dias (ma-ra-vi-lho-sos) na França, "flanando" pelas ruas de Paris, como dizem que é bom fazer. Na volta, faremos conexão em Madri e, já que tenho mais dois amigos de infância que moram lá, desdobramos a passagem e ficaremos por 2 dias em terras espanholas, pra dar um bejinho neles, é claro. Serão os 11 dias mais felizes da minha vida!!

E como felicidade a gente compartilha, cá estou eu dizendo aos quatro ventos como estou feliz!! Devo aparecer vestida de astronauta em todas as fotos, pois a previsão é de temperatura abaixo de zero e "pancadas de neve" no período em que estaremos na capital francesa (estou acompanhando o serviço meteorológico diariamente... pensem!). Tuuuudo bem. Melhor que esconde as gordurinhas e disfarça a silhueta. Risos.

Viajo só na semana que vem. Devo aparecer por aqui antes do embarque. Um Feliz Natal pra todo mundo. Ho Ho Ho!!!

Beijinhos de quem tá arrumando as melhores malas de sua vida e que vai conseguir estar na Europa aos 30 anos, como planejado.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Segunda-feira, Novembro 13, 2006





Tô eu indo pro estacionamento, saindo do Senado. Todos os dias vou trabalhar parecendo uma sacoleira. Carrego:

- uma bolsa com pastas, agendas, blocos de anotações, cds e material de produção;
- outra bolsa com caderno e apostilas (como chego duas horas antes de entrar, aproveito o horário do almoço pra estudar um pouco na biblioteca);
- minha lancheira (sim, da Turma da Mônica, madrepérola, linda!) com meu almoço e a "merenda" saudável da tarde;
- a bolsa de verdade, com tudo-o-que-tenho-direito-e-mais-um-pouco dentro; e, por fim,
- um guarda-chuva muito do cafona, porque anda chovendo nos momentos mais inoportunos.

Pois bem, vem Mayra com um bocado de coisas penduradas pelo corpo e toca o celular (pois é, me senti um polvo procurando um "braço" pra atendê-lo). Digo alô, equilibro o aparelho no ombro e sigo em direção ao carro. Falando, é claro. Lembro que a chave está dentro da minha bolsa-laranja-super-fashion. Desligo o celular, entro no carro, jogo tudo no banco do passageiro e sigo indo embora. Ufa!

Era por volta de seis da tarde, o trânsito estava caótico e o céu providenciava uma chuva de canivetes suíços afiadíssimos pra despencar. Ia chover horrores. São Pedro anda lavando muito o assoalho ultimamente.

Enfrento um congestionamento "daqueles", em que não dá tempo nem de passar a segunda marcha porque você já tem que parar de novo. Alguns carros a minha volta começam a buzinar. Eu, que já adoro uma buzina, entro na onda e taco a mão na dita cuja pra ajudar o povo a aumentar o coro. Então percebo que o povo não está buzinando em protesto ao engarrafamento, mas buzinam para mim...

Olho pra um lado e dou um sorriso amarelo, tentando entender se estou com a luz acesa ou a porta aberta. Verifico tudo e não encontro nada. Buzinam de novo. Olho novamente e dou tchauzinho (vai que é alguém conhecido, né?). Era não. E as buzinas continuavam e nada de eu entender o que tava acontecendo. Começa a choviscar e as buzinas tornam-se mais insistentes. Então decido abrir o vidro do carro, faço cara de quê-que-tá-rolando? e alguém grita:

- Ô moça, seu celular tá em cima do carro!!!!
- Djésus Cruáisti!!!!


Nunca vi tamanho desespero numa pessoa só. Logo veio à minha cabeça a imagem de um aparelho encharcado e rouco. Tadinho!! Abri o carro imediatamente, saí e olhei pro teto: lá estava meu celular... começando a ficar molhado e querendo cair (até que demorou, né não?). Niqui eu peguei o bichinho, escuto aplausos coletivos. Isso mesmo, podem sentir vergonha e vontade de enfiar a cara debaixo do carro por mim. O povo aplaudiu minha performance num tom, digamos, irônico... como quem diz demorou, hein???. Foi o mico do mês (porque eu sou a rainha deles).

E aí você pergunta: Você fez o que, Mayra??? À margem do Rio Piedra sentou e chorou??? Não, oras, agradeci prontamente os aplausos - um pouco ruborizada, óbvio -, soltei um sorriso e entrei no carro. Subi o vidro e dei partida com a cara-de-pau que Deus me deu. A essa altura, o congestionamento já havia diminuído e pude seguir meu rumo, feliz e contente. E o melhor, com meu celular no banco do lado (nem tava rouco).

Só deu tempo de pensar: essa eu vou ter que contar no blog.

Beijinhos de quem aproveitou uma brecha nos estudos pra dar notícias. Até breve.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Sexta-feira, Outubro 21, 2005



O DIA EM QUE CONHECI LINDA LOVELACE

Peguei o telefone e liguei pra locadora:

- Oi, bom dia. Vocês têm o filme Garganta Profunda?

- A senhora quer dizer Todos os Homens do Presidente, sobre o Garganta Profunda, né? Temos sim.

- Não, moça. Quero dizer o filme de sacanagem mesmo. O que tem "a" garganta profunda. Aquele erótico que todo mundo comenta.

- Aaaah, erótico, é? Não trabalhamos com filmes eróticos. Infelizmente...
(senti uma certa frustração na voz, confesso).

- Ok. Obrigada. (Também já um pouco frustrada).

Percebi ali que eu ia ter um certo trabalhinho pra encontrar o filme. Já não lembrava mais onde eu tinha descoberto disponível em DVD (é mole? Depois de toda aquela ladainha pra comprar o aparelho). Mas depois de muito procurar, enfim encontrei. Tinha combinado com o namorado que ele iria comigo, para que eu não ficasse encabulada sozinha (eu posso até ser despachada, mas ainda tenho alguma vergonha nessa cara). Mas nesse dia, algum imprevisto-que-não-lembro-agora ocorreu e eu tive que encarar a parada sozinha, sob condição de ele me encontrar em casa na seqüência (ah, não ia ver esse filme sozinha, né?). Cheguei no balcão, respirei fundo, olhei pro atendente e falei:

- Oi. Liguei aqui há pouco tempo, atrás do filme Garganta Profunda.

- Só um minuto, por favor.

- Ah, o que você tem do Alain Resnais, hein? E do Hal Hartley?? Chegou Old Boy?? E Sin City?? Vocês aceitam cartão de débito?
(Engatei essas frases pra disfarçar, que nem quando eu era adolescente e ia comprar anticoncepcional na farmácia. Pedia uma caixa de pílulas e "uma latinha de pastilhas Valda, por favor" pra desviar a atenção. Sempre funcionou).

Ele voltou com um estojo de DVD todo branco, sem ser o original. Achei até bom não ter que estampar pra todo mundo ver o filme que eu tava levando, com uma foto comprometedora. Ele me entrega o estojo e vejo escrito em letras garrafais "Filme Erótico". No verso da caixa: "Garganta Profunda". Putz! Não sei o que é pior!! Coloca isso logo na sacola, moço!!

Pus o disco no aparelho (novo e bom) de DVD e me aprumei do lado do namorado. Os créditos já começaram assim:

"Harry Reems as Dr. Young. Linda Lovelace as Herself."

Bem aí eu pensei: esse filme é bom! Porque uma mulher que encara de fazer um filme pornô usando o próprio nome na personagem, só pode ser corajosa. E boa.

Pois bem, vamos ao que de fato interessa: minhas impressões sobre o filme. Devo dizer que eu ri do começo ao fim. Isso mesmo. Excitar não excitou. Nós dois caíamos na gargalhada a toda hora. Explico.

O filme foi feito na década de 70. Ou seja, o figurino, os cenários e até mesmo os cabelos são totalmente típicos da época. Imaginem uma mulher de cílios postiços e sombras verde-cintilante, cabelos armados com laquê, fumando um cigarro fino e longo na cozinha. Ela tá sentada em cima da pia, de pernas abertas, enquanto um jovem e dedicado rapaz faz sexo oral nela. Nisso, Linda Lovelace chega e começa a guardar as compras do supermercado e conversar trivialidades com a sortuda, como se nada tivesse acontecendo.

A primeira sequência é ótima. Cabelos de Linda ao vento, um belo carro e rock progressivo de trilha sonora. Aliás, devo dizer uma das coisas mais bacanas desse filme: enquanto rolam as cenas de sexo (na maioria, oral, por razões óbvias) você não é obrigado a ficar ouvindo aquele monte de "mmmmm, haaammmm, uuuuii, aaaaai" das pessoas gemendo. Simplesmente rola uma sonzeira da melhor qualidade que dá um bom ritmo ao filme. E ao que tão fazendo, claro. Dá até gosto de ver.

Mas o ápice mesmo é quando ela finalmente tem seu primeiro orgasmo (gente, o clitóris da moça fica na garganta... percebam!! O argumento do filme já é bizarro o suficiente pra você achar que vai se divertir um bocado). Ela reclamava pro médico que nunca tinha ouvido o "bater dos sinos, sentido o foguete dentro dela e tido a sensação de fogos explodindo quando transava". Claro, né? A moça nem sabia que o G do Ponto dela era de "garganta". E aí ela goza, goza e gooooza. E sabem como a gente sabe que ela tá chegando lá? Simples!!! Aparecem cenas hilárias, intercaladas a ela "agradando" o moço (o doutor, diga-se de passagem) de estátuas batendo num sino, um foguete sendo lançado e, pasmem, cenas de fogos de artifício pra todos os lados. Praticamente o céu de Copacabana no reveião.

Eu nunca ri tanto em toda a minha vida. Achei tão divertido, mas tão divertido, que até pausava e voltava pra acreditar que o diretor tinha mesmo feito aquilo daquele jeito. Muito bom...

Como a noite terminou? Ah, só preciso dizer que não, o filme não serviu de estímulo nenhum. A não ser pra tomarmos uma cerveja depois, contando pros amigos nossa primeira experiência-sexual-audiovisual juntos.

Beijinhos de quem ainda ri sempre que lembra que a Nasa nem deve saber que fez a alegria de Linda Lovelace.

PS. Encontrei uma foto de quando o filme estreou e foi alvo de censores e muitas críticas. Vejam os cartazes.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Sexta-feira, Setembro 16, 2005



Depois de anos com um videocassete no quarto, decidi sucumbir às novas tecnologias e comprar um aparelho de dvd. Não porque eu achasse que isso fosse mudar minha vida. Na verdade eu cismei que queria assistir ao filme Garganta Profunda (é, o de sacanagem mesmo) e não conseguia encontrar em locadora nenhuma em VHS. Agora me diz: você assistiria a esse filme na televisão de 34 polegadas da sala? Não né?? Até porque, haja garganta pra tanta polegada...

Pois é, me empolguei, entrei na Internet e comprei o aparelho. Agora eu ia poder constatar se a garganta mais famosa do cinema era realmente profunda. E dentro do meu quarto. Com direito a zoom e slow motion. Pensem!! Um luxo!

Aparelho Toca Tudo Gradiente. Gostei (confesso que achei o nome sugestivo, já que era pra ver um filme pornô... toca tudo mesmo?? Affe!). Passei 4 dias úteis tensa, ansiosa, esperando minha encomenda chegar. E chegou. Instalei e fui pros testes. O primeiro dvd rodou (Cães de Aluguel). Ah, também não vale. Filme bom sempre roda... O segundo também rodou (Amnésia). Básico. O terceiro não. Como assim, Bial?? Só porque era Independence Day?? Aparelho de personalidade esse... Coloquei o próximo, Piratas do Caribe. Não rodou também. Ah, mas a trilogia do Indiana Jones vai rodar!! Pô, é do Spielberg!!! Só rodou A Última Cruzada. Os outros nada. Aposto que foi só porque o Sean Connery tá no filme. Testei filme pirata e rodou. Aí tentei Procurando Nemo, que ganhei do meu marido de aniversário, o-ri-gi-nal e nada. Peraí, esse dvd não tocava tudo??? Eu quero ver a Dory!!! Já que a satisfação não tá garantida, quero meu dinheiro de volta! Já basta eu na TPM!!! Um aparelho com crise hormonal já é demais!!

Mandaram coletar o aparelho e me deram de crédito o mesmo valor pra gastar no site. Mas eu queria um dvd. E só pra ver Garganta Profunda (mulher quando cisma com uma coisa, vou te contar...). Rolou um certo trauma e passei duas semanas da minha agitada vida pesquisando e lendo especificações de aparelhos de diversas marcas. Menos Gradiente, é claro.

Domingo, 10h da manhã. Estava eu dormindo o sono dos justos, depois dos embalos de sábado à noite e meu telefone toca (ou melhor, berra). Atendi com voz de mulher-que-tomou-todas-e-dormiu-faz-pouco-tempo. Apenas penduro o aparelho em cima da orelha enquanto estou deitada. Um moço de sotaque nordestino carregadíssimo me diz:

- Bom dia!!! (pra quem? Pra ele, né??? Olha a hora, meu filho!!). Você é a titular desse telefone?
- Hum-rum.
(imaginem um zumbi gemendo).
- Isso é uma promoção da Brasil Telecom e a senhora acaba de ganhar alguns prêmios.
- Aié? Conta outra...
- Isso mesmo
(meu sono era tanto que comecei a achar que o Severino tinha me ligado, como se tivesse sido absolvido das denúcias contra ele, tamanha a empolgação da voz)!!! A senhora ganhou dez (!!!) aparelhos de celular pré-pagos, uma televisão de 29 polegadas, um aparelho de DVD e uma moto.

Aí eu até abri um olho, né? O cara falou a palavra mágica: aparelho de DVD!!

- Coméquié? E por que foi que eu ganhei isso tudo??
- Porque a senhora mantêm as contas em dia e a Brasil Telecom está contemplando os clientes que são corretos.
- Hein? O que foi que eu ganhei mesmo?
(De graça, até ônibus errado... porque injeção na testa deve doer à beça...).
- Dez aparelhos de celular pré-pagos (tudo bem que eu falo muito, mas pra que tudo isso???), uma televisão de 29 polegadas, um aparelho de DVD e uma moto. A senhora vai querer a moto de que cor? As opções são: prata com azul, prata com chumbo e preta.
- É mais prata ou mais chumbo?
- Mais prata.
- Quero essa.
(Eita cachaça que fica no sangue...).
- Ganhou. Esses prêmios já são seus!! Pra efetivar a premiação, você deve ir à loja mais próxima e comprar 5 cartões de celular, de qualquer valor, da Brasil Telecom e 5 da Claro. Em seguida, você deverá ligar para o seguinte número...

Gente, me dei ao trabalho de anotar o número. Desliguei o telefone e continuei dormindo. Na verdade, sonhando com meu DVD (que eu não ia mais precisar comprar e pensando que ia gastar 300 reais em livros, já que tinha crédito no site). De repente abri o olho, vi Buda na minha frente (a imagem que tenho no quarto, calma). Uma luz me iluminou e resolvi ligar pro telefone que o moço tinha me passado. Então ele me diz:

- A senhora comprou os cartões de celular?
- Comprei.
(hihihihihi. Te enganei, te enganei).
- Ótimo. Então a senhora vai raspar e me dizer os números que estão aí.
- Ah é? Seu cara de pau!!
(vi que era um interurbano pra celular, no nordeste). Vai enganar a sua mãe!

Desliguei na cara dele e voltei a dormir. Sem o DVD. Putz! Quando acordei, me dei conta do golpe que tentaram me aplicar (muito do pobre, né? Querer roubar número de cartão de celular? Fala sério!).

Entrei na Internet de novo e comprei, finalmente, outro aparelho. Da LG. Passei mais 4 dias úteis ansiosa e eis que ele chegou!!! Sim, e toca tudo!!! Instalei essa madrugada, empolgadíssima. Vou poder ver meu filme com calma e atenção agora. Uhuuuu. O aparelho é lindo, é slim (já que eu não sou, alguém tem que ser), é chique e é prateado. Nada como ser uma pessoa persistente...

Agora, só pra constar... tem cabimento uma pessoa receber um trote fajuto desses e ainda cair?? Putz!! E eu ainda escolhi a cor da minha moto!!! E ela nunca chegou... Descobri depois que uma amigona minha também foi "contemplada" e que ganhou uma geladeira duplex. Tava toda feliz. Ô bichinha... A gente quase foi na delegacia registrar queixa por "abuso de boa fé e interrupção de sono dominical". Mas achei que seria mais negócio ficar em casa mesmo. Ainda mais agora, que eu posso ver o que quiser, dentro do meu quarto (Uh, dvd! Uh dvd! Uh, dvd!).

Beijinhos de quem já tava quase se matriculando na auto-escola pra aprender a dirigir veículos de duas rodas.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Quarta-feira, Agosto 24, 2005


Ele tipo muito perto de mim.


O dia em que me encontrei com Chico Buarque de Hollanda. Ou... me segura que eu vou dar um troço!!

Gente, ontem Chico Buarque pegou na minha mão, me deu um beijo no rosto e me deu o telefone da casa dele dizendo "não deixe de me ligar!".

Sim, é verdade!! Juro pra vocês. A Mayra aqui tá podendo... (risos).

O homem é tudo nessa vida. Veio pra Passo Fundo (RS) receber um prêmio pelo livro Budapeste. Como o resultado foi dito durante a Jornada de Literatura, não estava pautado dele vir. Simplesmente veio e ficou no mesmo hotel que a fofa aqui. Pensem!!! Eu no 6º e ele no 9º andar. Me sinto o Forest Gump nessa horas. Aquela que tá nos lugares certos, na hora certa e não fez esforço nenhum pra isso. Oh yes.

Depois de acompanhar a coletiva toda na primeira fileira, quase beijando o "meu guri", encontrei com ele no saguão e não me contive. Fui lá dizer "oi, me dá um autógrafo?" (coisa que aliás, eu nunca faço). Mas antes que a tiete baixasse por completo em mim, a formação de jornalista bateu mais forte e, num momento de sanidade, cheguei perto dele, cumprimentei num aperto de mão (sim, houve contato físico mocinhas) e disse:

- Oi Chico (sintam a intimidade), sou da TV Senado. Estamos produzindo um documentário sobre os 100 anos de Érico Veríssimo. Como você disse na coletiva que é muito amigo do Luís Fernando, gostaríamos de saber se você toparia dar um depoimento sobre a obra do Érico e sua relação com a família dele.

Ele disse que sim, sem problemas, mas que tinha que ser numa outra ocasião porque ele tava indo pegar o avião naquele momento. Tudo bem, meu bem, por você eu mudaria até o meu nome, eu viveria em greve de fome...

- Sem problemas, pode ser no Rio mesmo. Tem pautas por lá e ainda vamos marcar. Como faço pra entrar em contato pra agendar sua entrevista?

- Liga pro telefone tal (tão achando mesmo que vou liberar o número assim, de graça?? Ho,ho,ho. Nem por um mensalão bem gordo, baby).

- Ok, e falo com quem nesse número pra marcar?

- Fala comigo mesmo. É o telefone da minha casa.
(Hã?? Entendi direito? Olha que eu vou ligar, hein??).

Essa pessoa que vos fala ficou dura e tesa de emoção e de frio (tô pegando 10° e dizem que vai piorar... affe!). Sem saber se anotava o número ou pulava no pescoço dele gritando "não largo, não largo e não largo". Passado o momento de profissional-exercendo-seu-ofício, arranquei meu crachá do pescoço e falei:

- Chico, agora que eu cumpri meu trabalho, posso ter meu momento tiete, né? Dá um autógrafo? (Ri amarelo).

Gente, eu nunca peço autógrafo. Mas esse momento eu não podia deixar passar. Foi tudo tão corrido que não dava tempo de sacar a máquina fotográfica. Aliás, essa descarregou a bateria no meio da coletiva (coisas que só acontecem comigo). Pelo menos deu pra registrar alguma coisa. Então o lindo olha pra mim e diz:

- Claro.Qual o seu nome?

- Mayra, com Y. (Muito metida essa mulher).

Então me devolve o crachá autografado, me dá um beijinho (pensem num rosto que vai ficar sem lavar uns três dias, até a pele absorver e ter ele encroado na minha pessoa) e diz já indo embora:

- Não deixe de me ligar!!

É claro que não, Chico. Vou ligar sim, quando você menos esperar. Beijo, viu? Se cuida. A gente se fala...

Beijinhos de quem tá jurando amizade só porque ontem viu a banda passar, cantando coisas de amor.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Segunda-feira, Agosto 01, 2005



Entrei no táxi. Ao meu lado, um motorista cinquentão com cara de gente-que-faz começou a puxar papo um sotaque ótimo do nordeste:

- Trabalha no Senado é?
- Trabalho.
- E essa esculhambação toda aí, hein?
(pense numa pessoa doida pra conversar e que não era eu)
- O que que tem?
- Ah, você acha que vai dar em alguma coisa?
- Sei não.
- Vai não, minha filha. Te digo logo. Esse país é muito bagunçado.
- Pois é, né?
(fiz cara de "é comigo???")

E lá se foram diversas teorias sobre o esquema do mensalão (impressionante como só se fala nisso atualmente), se o Lula sabia ou não de tudo desde o começo, se o PSDB deve ou não ser punido porque descobriram que neguinho recebeu dinheiro lá também, se o Delúbio isso, o Zé Dirceu aquilo...

Escuto Britney Spears começar a cantar e reparo que a música não vem do rádio. Oh my God!!! Era o som do celular dele!!! Em MP3. Uau!!!! E ele atende com voz mansa (dirigindo):

- Oooooi, tudo bem? (pelo tom, percebi logo que tratava-se de uma mulher. Homem só fala manso com um rabo-de-saia).

- (...)

- Pois é, querida (bingo!), não deu pra ir ao nosso encontro. Você tá muito brava comigo? (ah, eu ficaria...).

- (...)

- Fica brava não, meu doce de coco (eu juuuro que ele disse isso). A gente combina de novo e eu prometo que vou. Mas me diz uma coisa... você não tem namorado nem marido meeeesmo, né? Porque na minha terra, lá na Paraíba, o cabra quando encontra o amante agarrado na mulher dele resolve com a peixeira. Aqui é no tiro mesmo. Eu não quero encrenca. (e eu no assento do lado, com cara de finge-que-eu-nem-tô-aqui-viu?)

- (...)

- Tem mesmo não, né? Solteiríssima? Então tá bom. E esse friozinho, hein? Bom pra ficar abraçadinho, tomando um vinho. Mas pode ser uma cervejinha também (e o cidadão olha pra mim e dá uma piscadinha. Eu já sem saber se devia tapar os ouvidos ou fazer um "jóia" pra ele, como quem diz "mandou bem, brother").

- (...)

- Olha meu doce, vou ter que desligar. Estou trabalhando. Te ligo depois tá?

Desliga, olha pra mim e diz:

- Você não concorda?

- Eu?? Com o que?

- Que é um risco esse negócio de conhecer uma pessoa e ela ter um macho
(concordar eu concordo, principalmente quando é um cara lindo, interessante e tem um macho). Já vi muito amante morrer na mão de marido traído. E mulher safada é o que não falta nesse mundo.

- É perigoso mesmo (eu ia dizer o que, gente??? o motorista do táxi tava querendo um conselho emocional... affe!). Mas tem homem safado também...

- Pois é. Eu fui pro bar outro dia e conheci essa moça. Papo vai, papo vem, marquei um encontro com ela. E eu não fui de propósito. Marquei e furei.

- Pôxa. E por que você fez isso com ela? (ah, fiquei compadecida da pobre coitada...).

- Ah, pra ver se ela tava mesmo afim. Se ela me ligasse brava por conta do bolo, aí eu saberia que vale a pena investir.

- Ah é? Isso é uma estratégia?
(não teve jeito, me empolguei e já tava participando do papo como se fosse a melhor amiga).

- É. Tenho 56 anos e isso sempre funcionou. Mulher é bicho ruim. Ou você maltrata, ou ela não te dá bola (disse isso com a cara mais lavada do mundo).

- Como assim, Bial??? (isso foi uma fala interior com o impacto daquela afirmativa. Fiquei calada, muda, perplexa).

O carro chegou ao destino e eu ainda tava formulando uma das minhas várias teorias sobre a safadeza humana pra dizer praquele senhor-troglodita. Melhor mesmo não ter dado tempo. Ele atiçou meu lado feminista dando a deixa pra eu comprar uma briga. Paguei a conta e desci do carro. Olhei pra trás e dei a língua. Não tinha mais nada que eu pudesse fazer.

Beijinhos de mocinha que não acha que um tapinha não dói. Dói sim. E é muito.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Sábado, Abril 30, 2005



Eu não sei falar inglês. Eu finjo que sei. Aliás, finjo muito bem, se querem saber. Pra não pensarem que sou uma completa ignorante no assunto, posso dizer que me saio muito bem quando tomo umas e outras ou quando estou sob pressão. Aí viro poliglota. Faço até tradução simultânea. Ahã.

A coisa funciona assim: no meu estado normal (sim, ele existe) eu entendo até bem quando ouço alguém falando e leio em inglês direitinho. O problema é que eu moooorro de vergonha de falar. O pouco que eu aprendi me garante a comunicação (gente, eu me comunico sempre e de qualquer jeito, é bom que isso fique claro!), mas eu não sei construir frases muito bem. Para acabar com essa vergonha, só (muito) álcool. Ou a necessidade pura e simples. Oh yes!

Momento será-que-dá-pra-chamar-ela-ou-tá-difícil??

Há alguns anos, minha adorável prima foi fazer um curso no Japão. Nessa época, eu morava sozinha e adorava dar telefonemas de madrugada pra todo mundo, uma vez que eu chegava tarde em casa das baladas e a tarifa era mais barata. Imaginem então pro Japão, já que rolava sempre a diferença de fuso e aquela sensação de não acordar ninguém, pois era dia lá!!! Até que Ana Paula Arósio aparece com aquele rostinho de boneca na tv e me conta que ligar pro Japão tá com um precinho ótimo. Ôpa!!! Vamos nessa!! Cheguei em casa por volta das 4h da manhã já animadíssima de tanta cerveja e decidi matar saudades da priminha. Liguei pra escola dela e uma voz ajaponezada atendeu falando-qualquer-coisa-que-eu-não-entendi (ah, gente, entender inglês já é difícil, falado por um japonês então... tão querendo muito!!), supus ser algo tipo "Escola Japonesa Que Ensina Brasileiros, boa tarde". Fiz voz de aeroporto e falei (vagarosamente):

- Please, I want to talk with Clarissa Carvalho. Room eight-eight-seven. (ufa! Acho que consegui!).
- Origami sukiyaki ikebana karate.
- Helloo-ôu! I said room eight-eight-seven, please!
- Sushi sashimi tai chi chuan sayonara.


Eu tava quase ficando louca e me convencendo que um sobrinho do Buda tinha atendido ao telefone, até que um ser falou comigo em inglês e me disse que minha prima tava viajando pra Tóquio, a passeio (chato, né?). Pra não perder a ligação, passei boa parte da noite conversando como o fulano, um tal de André. Não entendi bem de onde ele era nem que curso tava fazendo. Mas dei boas gargalhadas (garanto que ele também) depois de meia hora de papo. Tive a certeza de que tinha me saído bem quando falei com minha prima num outro telefonema e ela me disse tudo o que nós tínhamos conversado (ele contou pra ela). Ponto pra mim! A coisa foi tão bacana que eu até pedia pra chamá-lo quando ligava e ela não podia atender. Virou meu melhor amigo. Pensem!!! O que a cachaça não faz...

Momento pra-holandês-ver:

1997, carnaval em Olinda. Eu e Mrs. Aviani chegamos com nossas mochilonas e fomos procurar a casa onde iríamos nos hospedar. Como não tínhamos compromisso com nada, o calor tava grande e as ladeiras não acabavam nunca, decidimos sentar num boteco e tomar uma gelada para descansar um pouco e continuar a jornada (tão pensando que é fácil desfilar por aquelas ruas com um peso enorme nas costas??). Relaxamos tanto que encontrar a casa virou um mero detalhe. Eis que passa na nossa frente um cara leeeeiiiindo, sem camisa, com umas tatuagens bacanérrimas e um bronzeado-de-gringo sem igual, com cara de perdido. Como nós. Ficamos só babando. Eita que esse carnaval promete...

Quando encontramos a casa que tínhamos alugado junto com a torcida do Flamengo, a do Corinthians e a do Sport Club do Recife (affe, nunca vi tanta gente num lugar só!), demos de cara com quem, com quem???? Uma nota, Maestro Zezinho!!! O cidadão-tatuado-no-braço-calção-corpo-aberto-no-espaço-coraçãããão!!! Isso mesmo, o gringo gato com cara de perdido que tínhamos visto lá no bar. O mocinho também estava hospedado na nossa casa. (Batendo palmas, clap clap. Dando um grito uuuuuu. Levanta a mão passando energia!!!). Só nos restou fazer amizade, é claro (depois das cervejas, tudo é possível).

Descobri que o bofe era holandês, morto de lindo e gente boa (muito boa), estava no Brasil há dois meses, rodando todo o litoral. Conversei horroooooooooooooores com ele. Não sei de onde saiu tanto vocabulário. O inglês saiu com uma naturalidade incrível (o que não é a necessidade misturada com o álcool, hein?). Eu estava me sentindo a própria editora da revista Speak Up naquele momento. A sintonia foi tanta que arrumei um namoradinho de quebra pra passar o carnaval inteiro (boba, eu???) e ainda treinar a "língua" holandesa. Hahahaha.. Afinal, eu estava ali de passagem...

Momento help-I-need-somebody!

2002, Festival Internacional de Cinema de Brasília, na Academia de Tênis. Eu trabalhava na produção e minha amiga Marina trabalhava como hostess dos diretores, atores, produtores do mundo todo que participaram do evento. Um deles era ninguém menos que Morgan Freeman. Marina era a responsável por andar com ele pra cima e pra baixo, traduzindo tudo que o moço dizia. Ele tinha vindo pra lançar o filme (péssimo, por sinal) Crimes em Primeiro Grau, que seria exibido no antigo Americel Hall, a maior sala de espetáculos de Brasília.

Sala lotada de gente ansiosa e todo mundo do staff nervoso. Marina deixou Morgan (para os íntimos, tá?) comigo enquanto organizava tudo no restaurante para onde ele iria na seqüência, depois de apresentar o filme pro público. Até aí, tudo bem. Eu só precisava dizer algo tipo "Come here, Morgan. Follow me". Ele só tinha que me seguir até o camarim. Fácil essa parte.

Faltando 40 minutos para ele entrar em cena e o filme ser projetado, cai uma fase de luz e o teatro fica quase às escuras. Pânico na torre. Ou seria no camarim??? Eu lá com Morgan, tentando manter a calma e fingindo naturalidade. Pelo rádio, chamei o pessoal da produção e em bom português perguntei o que estava acontecendo (e ele me olhando do alto de seus quase 2 metros de altura). Pediram pra eu manter a calma pois a CEB já estava a caminho para resolver o problema. Oh God!!

Agora imaginem aí uma mulher-que-não-fala-inglês, sozinha num camarim com Morgan Freeman. Ele, a simpatia em pessoa, olha pra mim e pergunta se estou bem. Digo "yes". Ele pergunta se estou nervosa. "Yes". E se pode me ajudar. Gaguejei "No, yes, no, yes...". Foi aí que me denunciei. Olhei pra ele e disse que meu inglês não era muito bom, mas que eu faria o possível para ele me entender direitinho. Ele respondeu com voz de ator-do-Seven "tenho certeza que seu inglês é muito melhor que meu português" (ai que fofo!). Falei o que estava ocorrendo e que só nos restava aguardar. Ufa!! Consegui de novo!!

Até que entram no camarim a mulher dele, a filha, a empresária e o Peter (até hoje não entendi se era amigo ou segurança ou os dois juntos). Juro pra vocês que nessa hora eu quis sair correndo e me atirar de cima do palco. Como assim eu vou ter que me comunicar com esse tanto de gente ao mesmo tempo??? Cadê a Marina???? Putz.

Conclusão: Morgan falou pra eles o que estava acontecendo, ficaram todos esperando animadamente, contando piadas (que eu entendia!!!) e rindo à beça. Foi lindo!!! E eu lá, jurando amizade. Falando inglês fluentemente e contando mil histórias. Até que a luz voltou, tudo deu certo e a cortina fechou. Aplausos, por favor!

Depois disso tudo, me convenci que não tem escola de línguas melhor do que você se deparar frente a frente com a situação e abraçar a causa (ou o holandês, aí você escolhe). Me diverti muito, sempre. Vai ver as sopas de letrinhas que mamãe me deu quando era criança eram importadas... risos. Pra não dizerem por aí que sou mentirosa, taí a foto do dia fatídico:



Beijinhos em várias línguas, canções e gestos. Afinal, a comunicação é uma coisa universal.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Domingo, Abril 24, 2005



- Mayra, você tem drusas nos olhos. Muitas drusas.

- Heeein?? Tenho o que, doutor????


Isso eu escutei há alguns ano, numa consulta no oftalmologista. Na hora achei o nome lindo: drusas. Depois voltei a mim e quis saber o que diabo era isso que eu carregava nas minhas janelas da alma.

- São "falhas" entre as células da retina que vão aumentando com o tempo. Isso faz com que você tenha vista cansada numa idade ainda jovem. Temos que fazer um exame pra saber em que grau está.

Então tá, né?

Ele me deu a receita com o nome do exame: Angiofluoresceinografia. Se a minha vista já tava pra ficar cansada, cansou de vez só de ler o tamanho do nome. Angio-o-quê?? Affe!!! E eu achando que dilatação da pupila era o único exame que tinha. Como esse mundo moderno surpreende a gente...

Liguei na clínica pra marcar a sessão tortura. "Você deve vir acompanhada, viu?". Ok, ok. Logo vi que tratava-se de um daqueles exames onde você sai ceguetinha, a ponto de não poder dar um único passo sozinha porque pingaram colírio alucinógeno nos seus olhos. Nada demais. Levei meu namorado (na época eu tinha um), que me deixou lá e foi resolver umas coisas na rua, voltando depois pra me buscar. Afinal, era só um exame de vista, concorda??? Sonha Alice...

Momento um-dia-como-protagonista-de-Laranja-Mecânica:

- Mayra, você tem alergia a iodo?

- Que eu saiba não. Sou alérgica a várias coisas, mas iodo não. Como sal e frutos do mar sem problema algum.


Fui encaminhada para uma salinha com três pessoas-de-branco. Mandaram que eu sentasse numa cadeira com o braço esticado de um lado e apoiado naquelas bases de fazer coleta de sangue. (Juro que não tava entendendo aquilo. Não era exame de vista??). À minha frente, um daqueles aparelhos que parecem um binóculo gigante de onde saíam fachos de luz que me faziam jurar que super-espadas de Jedi furariam meus lindos olhos azuis.

Corpo ereto, braço esticado (e preso) na base. Pessoinha 1 ao lado do meu braço. Pessoinha 2 manipulando o binóculo gigante e apertando o botão que fazia disparar os sabres de luz. Pessoinha 3 sentada atrás de mim, apoiando minha cabeça contra o peito e segurando meus olhos abertos. Siiim, que nem no filme!! Só faltaram colocar palitinhos de fósforo. Absurdamente irritante e incômodo. Tudo isso porque eu não podia piscar enquanto minha retina era fotografada. Ao mesmo tempo, injetavam iodo na minha veia. Pense!!!

- Gente, estou ficando enjoada. Acho que vou vomitar.

- Não se preocupe. Isso é normal.


Até então eu tinha certeza de que estava participando de uma pegadinha. Eu lá sentada, com uma criatura mantendo meus olhos abertos com os dedos enquanto uma luz fortíssima atravessava minha vida em flashes que pareciam sair de canhões de luz. O braço esticado com uma agulha enfiada injetando um líquido amarelo (segundo eles, isso era pra fazer contraste) e o estômago pedindo arrego. Louco pra colocar tudo pra fora. Gostoso com certeza num tava, né não?? Ninguém me convence de que não tinha uma câmera escondida ali...

- Vocês não estão entendendo. Eu vou vo-mi-tar!!!! E é agora!

Virei pro lado já de boca aberta. O profissionalismo dessas clínicas se supera cada vez mais. Apareceram com um saco de enjôo em questão de segundos e tudo o que eu tinha dentro da minha pessoa foi parar lá dentro. Sem uma única gotinha pra escapar e contar a história.

Voltamos ao exame (ou seria tortura?? Devo ter jogado uma pedra na testa de Jesus pra ter que passar por isso. Essas drusas não tinham outra pessoa melhor e mais forte pra escolherem não??). Começou tudo de novo. O enjôo continuou, mas estava mais ameno. De repente, a visão ficou turva, o corpo fraco...

- Caríssimos, eu vou desmaiar.

- Não se preocupe. Isso é normal.

Normal, pra quem, cara pálida?? Onde já se viu isso???? Eu apaguei. Desacordei mesmo. Não vi nada, a não ser um pretume na minha frente e desfaleci. Acordei numa salinha toda branca, deitada numa maca. Ops, será que eu morri??? E onde estava meu namorado numa hora dessas??? O tadinho não sabia de nada e naquele tempo ninguém tinha celular. Tínhamos combinado dele me buscar quando o exame acabasse e ainda faltava um tempo pra hora marcada. E eu lá... tentando ressucitar.

Acordei me sentindo péssima. Um médico veio falar comigo e disse que eu era alérgica a iodo. What?? Nunca não soube disso... Me deram um antiistamínico pra tudo se normalizar e eu ainda fiz o favor de ter uma reação ao remédio. Claaaaro que dei outro piripaque!! Caí dura pra trás de novo. Tava começando a ficar repetitivo. Não quero mais brincar disso não, tio!

Quando o namorado chegou, fui levada até ele com cara de louca, numa cadeira de rodas porque não conseguia me manter em pé e branca feito um lençol-lavado-com-OMO. Ele não entendeu nada. Óbvio. Vocês estão percebendo que eu saí de casa pra fazer um exame nos olhos??? O-L-H-O-S. De enxergar. Depois dessa experiência única, passei a levar muito a sério quando me dizem que devemos ir acompanhadas pra alguns lugares.

Uma semana depois liguei na clínica pra saber se o resultado do exame tinha saído. Sabe o que me disseram??? Que não foi satisfatório e que eu teria que fazer outro. Outro???? Pirou???? Bebeu gás?? É luuóóóóógico que eu fiquei traumatizada e nunca voltei lá. Fiz amizade com minhas drusas e aprendi a viver com elas. Ora essa...

Mas porque estou falando nisso tudo? Simples! Estou sentindo dificuldade pra ler e preciso ir ao oftalmologista urgente ver como andam a minha hipermetropia e meu astigmatismo. As drusas vão bem, obrigada. Comentei esse episódio com meu marido e ele falou que a história rendia um post. E eu, que tenho levado uma vida tão pacata e sem novidades pra contar aqui, concordei. Confesso que estou morreeeendo de medo de ir ao médico e ele mandar eu voltar naquele lugar pra fazer exames. Já pensou?? Justo agora, que nem namorado eu tenho pra me acompanhar?? Vão precisar colocar uma van da UTI móvel na porta pra me trazer em casa... risos. Tomara que já exista uma tecnologia menos traumatizante...

Beijinhos de quem tem usado muito os olhos pra estudar e não consegue conceber a idéia de ter vista cansada aos 30 anos.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Quarta-feira, Março 30, 2005



A um dia de fazer 29 anos, posso dizer que eu...

colei na escola, matei aula, fiquei de recuperação e até calotei ônibus na adolescência;

quis fazer História, Letras, Ciências Políticas e até Medicina depois de formada em Comunicação (viram que não rolou, né?);

dividi apartamento e morei sozinha por 6 anos;

fiz jazz, tai chi chuan, capoeira, kung fu, ballet, ginástica olímpica, yoga e natação;

tive 4 namorados e 1 namorido;

Já dei, doei, emprestei, mas nunca aluguei ou vendi;

fui hippie, metaleira, comunista e, pasmem!, freqüentadora de exposições agropecuárias;

entrei com tudo numa elétrica na rua do Beirute, achando que fosse uma garagem, em plena sexta-feira santa, na primeira vez que dirigi um carro e quase
destruí
a loja;

tive catapora, nefrite, rubéola, varizes, hematomas oriundos de falta de equilíbrio, rasguei o queixo três vezes, mas nunca engessei nenhuma parte do corpo;

quis me chamar Mayra Cunha Azevedo, Fernandes, Fonseca, Pitt, Cruise e até Buarque de Holanda;

achei que estaria livre da UnB em 4 anos (estou lá há 12...);

quis morar no Rio, São Paulo, Recife, Paris e Piauí, mas nunca arredei o pé daqui;

Posso tirar onda e dizer que já abracei, dei beijinho e troquei um lero com Morgan Freeman, Bruno Garcia, Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo
Ribeiro, Palhaço Carequinha e até com o Gianechinni (Marília que não me ouça);

fui amadora, locutora, apresentadora, produtora e raladora;

li Paulo Coelho e Lair Ribeiro (ah, são pérolas da literatura tosca totalmente recomendáveis);

escrevi mais de 500 posts pra esse blog, fora os textos que nunca publiquei;

pulei cerca, subi muro, trepei em árvore e fui campeã de bolinha de gude e pião;

fui pra Ouro Preto ver o Festival de Cultura e Arte da UNE como "carregadora oficial de pratos de bateria" só pra ter uma função e conseguir carona no ônibus da banda que ia se apresentar lá, aos 16 anos;

viajei de Fusca de Recife para Brasília, depois de um carnaval, e demorei mais de uma semana pra chegar porque achava divertido acampar na areia de todas as praias do caminho, aos 19;

beijei uma mulher e não vi graça nenhuma, continuo achando os homens muito mais legais;

desfilei duas vezes na Sapucaí e vi de perto o Paulinho da Viola vestido de Malandro;

pensei em ser espírita, atéia, Hare Krishna, astróloga e me encontrei no budismo;

chorei vendo A Noviça Rebelde, quis namorar o Kevin Bacon em Footloose e sonhei ser a Jenniffer Beals em Flashdance;

imitei a Madonna num programa de televisão local, cantando Like a Virgin, aos 10 anos (mico? imagina...);

falei fluentemente inglês, espanhol, italiano e até "israelense" depois de algumas cervejas;

sofri seqüestro relâmpago e se livraram de mim assim que comecei a falar muito e querer ficar íntima;

fui Pato-Pateta na apresentação da escola sobre a A Arca de Noé e o "mato" em A Linda Rosa Juvenil ("...o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor...", lembra?? e eu lá no fundo vestida numa roupa-que-imitava-grama feita de papel crepom verde, subindo e descendo, abandando as mãozinhas. Praticamente uma precursora da famosa "ôla" dos jogos de futebol).

escrevi uma adaptação de Cinderela para o teatro, aos 11 anos de idade, numa máquina de escrever Olivetti que foi do meu avô e que foi encenada na varanda da minha casa. Oh yes!;

fui vesga, barriguda, desgrenhada e andava com os pés pra dentro que-nem-um-papagaio (pense nessa pessoa) e acho que até dei uma melhoradinha;

Já fui, já quis, já fiz, já pensei, já tentei, já larguei, já isso e já aquilo. Agora estou partindo pro ainda-falta-muita-coisa. Já pensou no que vão ser os próximos 29 anos??? Podem vir que eu estou pronta!!

Beijinhos fazendo um balanço de 28 anos de vida e me preparando pro dia de amanhã.

PS. Sim, eu ADORO fazer aniversário.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Terça-feira, Fevereiro 15, 2005



- Mayra, a coisa tá tão feia que outro dia eu até me inscrevi no Par Perfeito, na internet, pra ver se arrumo um namorado. Apelei, né?

- Eu não queria dizer não, mas apelou, amiga. Se te consola, eu já me inscrevi nessas porras todas... Par Pefeito, Yahoo Encontros e Almas Gêmeas. Sabe o que adiantou? Nada. Conheci um monte de bofes carentes, querendo beijar no primeiro encontro, noivar no segundo e casar no terceiro. Isso quando a intenção não era logo levar pra cama.

- Sério?? Mas nenhum valia a pena??

- Neeeem. Pra você ter uma idéia, um era general do exército e falava com um sotaque de mineiro do interior que às vezes era difícil entender o que queria dizer. Precisava de tradução simultânea. Outro parecia o Schwarzenegger em início de carreira, tipo Mister Universo, sabe? Acho que se me abraçasse ia me quebrar no meio. E tem mais. Beleza não conta numa hora dessas. Não tem rostinho bonito que compense um troglodita dizendo pra você "minha rainha, hoje quero ser o seu sultão".

- Hahahaha. Acho que você está sendo muito exigente.

- Ué, e não tem que ser não? Imagina só!! Teve um outro fulano que foi o cara mais gentil do planeta enquanto não nos conhecemos ao vivo. No dia do encontro, pediu uma dose de pinga e disse que não via a hora de me ver peladinha. Ah, tem dó, né?? Virei as costas e fui embora.

- Putz!! Isso não é coisa que se diga. E eu já tava toda esperançosa, achando que ia me dar bem..

- Gata, quer um conselho?? Tira logo seu nome dessas coisas porque lá não tem futuro . Eu cancelei tudo. Sem contar que seu email fica bombardeado de emails melosos do tipo "Sou moreno-jambo, olhos cor de mel, corpo em forma, gosto de ler, ir ao cinema e sair com os amigos. Procuro uma garota fiel e dedicada". Quando você descobre, a literatura dele se limita a Sidney Sheldon e Paulo Coelho (e olha que tá até bom se ficar nisso aí), o cinema que o cara vai é filme do Stalone (e só!) e sair com os amigos significa ir pro pagodão ali da esquina ou show do Rick e Renner. Ah, garota dedicada é o mesmo que "habilidosa nos afazeres domésticos, boa de cama e, de preferência, que seja calada". Não, não e não! Você é muito bonita pra se submeter a isso.

- Ah é?? E enquanto isso eu continuo sozinha??

- Ah meu bem, continua, né? Ou melhor, continua tentando. Se a coisa apertar, usa esses bofes que tu arrumar na internet pra fazer sexo por telefone. De repente diminui esse teu fogo todo. Risos!!!

- Que?? Com essa voz de criança?? Só vou arrumar pedófilo!!

- Então desiste.

Pois é, gente. A coisa tá difícil. Costumo dizer pras minhas amigas que estamos numa idade em que os caras bacanas:

1) são casados; ou
2) são separados, ou seja, não querem ninguém pra um relacionamento sério e duradouro tão cedo; ou
3) são gays (precisa explicar melhor ou tá bom assim?).

Isso quando já não tem um ou mais filhos. Mas essa parte a gente até releva porque faz parte do processo e é muito egoísmo achar que o cara vai ter que se dividir entre você e as crianças.

É quando bate aquele desespero. Aquela sensação de você não ser nem a última Coca-Cola do deserto, mas a última Fanta Uva, e quente!! Ninguém te olha, ninguém chega em você. E quando tem um solteiro afim de alguma coisa, ele geralmente vem com uma cantada barata do tipo "oi gata, sabia que você é a mulher mais bonita desse bar?" ou "eu dava tudo pra ser o canudo da sua caipirinha" (juro que já ouvi isso, e tenho testemunhas!). Traduzindo, significa "e aí, vamos sair daqui porque eu tô super afim de te comer?". Tosco, tosco, tosco.

Será que o mundo está perdido mesmo ou alguma velha macumbeira fez um trabalho brabo pra cima da mulherada?? Gente, garotas independentes (pro desespero da maioria), inteligentes e deveras interessantes, não querem um marido!!! Pelo menos por enquanto... Querem alguém legal do lado pros dias de chuva, pra ver um DVD agarradinho, fazer um lanche-fora-de-hora, falar besteiras à toa e coisas do tipo. Dizem que quando a gente desencana de arrumar namorado, é quando eles aparecem. Aí eu pergunto:

"Como é que eu vou desencanar se à medida que o tempo passa, a coisa vai ficando mais difícil, a carência vai aumentando e a sensação de solidão ficando do tamanho do mundo??".

Acho que nem virando lésbica a coisa se resolve. Outro dia, convesando com uma amiga-desta-classe, ouvi que a mulherada resolveu se comportar que nem homem e tá fugindo de relacionamento. Tá todo mundo querendo o esquema então-tá-combinado-é-quase-nada-é-tudo-somente-sexo-e-amizade.

Então tá, né? Vou discutir? Só me resta pegaro o meu banquinho e sair de mansinho. Pra cima de mim, não, gavião!

Beijinhos de quem tá com saudade de dormir junto e acordar junto (sim, porque essa segunda parte é que anda mais difícil).

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Segunda-feira, Janeiro 31, 2005



- Mayra, vamos pro samba hoje?
- Vamos.
(Perguntar logo pra mim, que adoro um samba??).

Chegamos lá de caravana. Eu seguia Mrs. Aviani. Como ela é vip, entrou com o carro porque tinha o nome na porta. Eu não. Estacionei lá no inferno da pedra mesmo. No lugar dos que-não-são-very-important-person.

Tínhamos acabado de sair do bar, onde tomamos algumas cervejas. Encontrei ela já no meio do agito pedindo por-tudo-no-mundo pra ir ao banheiro, antes de qualquer coisa. Ela concordou porque estava no mesmo estado. Acontece que tinha uma fila sem fim. Nunca vi tanta mulher junta. Affe!! Não pensamos duas vezes. Mrs. Aviani olha pra mim e diz:

- Mayra, vamos fazer xixi lá no meu carro?? Ele tem 4 portas e dá pra rolar aquele esquema mocozado. (Uma das técnicas de sobrevivência que aprendemos ao longo desses tantos anos de baladas).
- Ótima idéia!

Chegamos no carro e já fomos logo nos aprumando. Uma pra cada lado, abrindo todas as 4 portas do WCulo. Mal nos arrumamos, desabou uma tempestade. Não deu tempo nem de abrir o primeiro botão da calça. Tivemos que ser rápidas pra fechar o carro todo pra não encharcar tudo.

Muito bonito, hein São Pedro?? Deve ter ficado às gargalhadas vendo nós duas presas dentro do carro, caindo um toró desgraçado e morreeeeeeendo de vontade de tirar a água do joelho.

- Mrs. Aviani, acende a luz do carro aí.
- Cara, ela só acende quando abre a porta do carro.
- What??? Além de ilhadas... no escuro???
- Vamos ver se descobrimos outra forma de acender. O manual tá no porta-luvas.


Imaginem a cena: duas mulheres, lindas, arrumadas, gostosas, animadas e trancadas, lendo o manual de instruções do carro com iluminação de isqueiro (nessas horas, os fumantes salvam!!), pra conseguir ao menos pensar com mais "clareza". Nada feito. Só abrindo a porta mesmo. Onde é que o engenheiro da Chevrolet estava com a cabeça quando inventou isso?

- Amiga, a coisa tá ficando feia. Esse barulhinho de água só tá piorando a dor na minha bexiga.
- Nem me fala. Mas se a gente abrir a porta do carro, vamos derreter de tanta água. Sem contar o carro que vai virar uma canoa furada.
- Putz!! E vai acabar com a minha escova.
- Putz!! Vai acabar é com meus cachos!!
(Até no momento de desespero, a gente é fresca).

São Pedro a essa altura já estava rolando no chão de rir às nossas custas. O samba rolava solto na nossa frente e a gente vendo tudo de camarote. E cruzando as pernas que era pra não escorrer nada. Ninguém merece... ou melhor, "alguém merece", como diria a nobre amiga Baratinha. Menos a gente.

- Cara, a gente precisa tomar uma atitude!! Não tá mais rolando de segurar.
- Tenho uma idéia!! Vamos tirar o sapato e a calça. Aí a gente abre o carro, faz xixi rapidinho e não molha a roupa. Tem um jornal aqui pra gente se enxugar.
- Uau!!! Isso mesmo.


Pensem em duas criaturas tirando a roupa dentro de um carro. Foram-se os sapatos, a calça e claro, a calcinha (que cena patética). Como duas ninjas, abrimos as portas, sentamos na beirada (com a cabeça pra trás, lógico, pra não estragar o penteado) e fomos felizes para sempre. Nada como se livrar da dor. Sim, foi um momento lindo.

Nos secamos, nos vestimos, retocamos a maquiagem e ficamos prontas pra voltar pro samba (e encarar um torózinho básico no caminho). Foi só fechar a tampa do batom pra São Pedro ligar pro Murphy e parar a chuva. Foi i-na-cre-di-tá-vel. Abrimos o carro, depois de toda essa mis-en-cene (é assim que escreve??) e não tinha uma única gota caindo. Tinha até estrela no céu. Ah, tem dó, né??

Ainda bem que no Brasil, tudo acaba em samba.

Beijinhos de quem parecia um pinto molhado e com o rímel que virou sombra depois da chuva.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Quarta-feira, Janeiro 26, 2005



Mais uma da série "Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..."

Sim, eu me perdi mais uma vez. Vou morrer dizendo que sou uma pessoa que nasceu sem GPS mas ninguém acredita (ah, bússola é muito demodée).

Tudo começou na tarde de domingo. Fui encontrar minha turma da UnB em mais um churrasco de confraternização (eles não acabam nunca...). Dessa vez foi na casa de um dos professores (não só o fizemos ceder a casa, como fazer o churrasco também... risos), que mora no Park Way. Quem conhece Brasília sabe muito bem que eu atravessei a cidade de ponta a ponta, pois saí do Lago Norte. Uma verdadeira Odisséia.

Pois bem, o endereço dizia "SMPW Quadra 20". Brasília é uma cidade bem sinalizada. O problema é quando você erra. A volta que se dá é infinitamente maior que o trajeto que você fez pra chegar até lá, na maioria dos casos. Cheguei no Park Way e a placa dizia: "SMPW, quadras de 14 a 29, siga reto". Ok, estava no caminho certo. Andei reto toda vida, como se diz no nordeste. Cheguei no final e me deparei com uma tesourinha (isso só existe em Brasília ou vou ter que explicar o que é??). Fiz a tal da tesourinha e descobri que estava voltando pro ponto de partida. Como assim, Bial??? Voltei, voltei, voltei... e vi a placa da quadra 20. Depois daí tudo ficou lindo e cheguei sã e salva. Ponto pra mim.

Tome linguicinha, coraçãozinho, franguinho e até carne de carneiro. E muita cerveja. Perto das 7 da noite, me despedi do povo porque tinha que buscar Mrs. Aviani pra próxima balada. Tomei umas aulas com o professor-dono-da-casa de como chegar no Lago Sul, uma terceira ponta da cidade pra onde eu tinha que me tacar. Fiquei tão tensa na saída do Park Way que comecei a rir sozinha quando vi o balão do aeroporto. Siiiim, eu tinha conseguido fazer o trajeto sem me perder. Daí pra casa da minha amiga foi fácil, o carro já tava no piloto automático.

Eram quase 20h quando peguei Mrs. Aviani. Nosso objetivo agora era chegar no setor de motéis do Núcleo Bandeirantes. Sim, vocês leram certo: estávamos indo pro Castle Motel. E antes que pensem que eu "sapatei" de uma hora pra outra, isso foi invenção do empolgado do meu primo. O fofo alugou uma suíte triplex pra comemorar os 35 aninhos, numa festa para 60 pessoas. Oh yes, yes, yeeeeeeeees. Foi só começar a ler meus livros eróticos que o mundo começou a conspirar a meu favor... hahahahaha.

Brasília é uma cidade separada por setores. E euzinha, definitivamente, não sou assídua freqüentadora do setor de motéis (sim, todos eles ficam lá, um do ladinho do outro, bom-que-só pra escolher o que mais agradar sem andar muito). Morando sozinha por 6 anos não fazia muito sentido viver praquelas bandas, né?? Nós duas, jurando amizade (e que sabíamos chegar lá), rodamos mais que juízo de doido pra achar o nosso destino. E não achamos. Já tinha se passado uma hora procurando pelo lugar-de-libertinos.

- Mrs. Aviani, tá dose. A gente vai ter que parar pra perguntar onde fica. Estamos completamente perdidas.
- Ah não, Mayra.
- Cara, a gente tá perdida. Hellô-ôu! Vou parar e tu baixa o vidro aí e pergunta.
- Pergunto nada! Já pensou a cara da pessoa olhando duas mulheres dentro do carro e eu falando "por favor, onde fica o setor de motéis??". Nem vem.
- Ai meu santo. Então eu pergunto.


Parei e perguntei. Mrs. Aviani quase se escondeu no porta-luvas de vergonha. É claro que sempre rola um risinho sacana de quem vai responder, né? Nos disseram o que deveríamos fazer, agradecemos e fomos embora. Rodamos, rodamos e rodamos. Conclusão: não achamos. Isso mesmo, gente. Nos perdemos de novo.

- Mrs. Aviani, desse jeito vamos terminar batendo em Goiânia. Vair ter que rolar de perguntar de novo.
- Mayra, ah não!!!! A gente vai achar!! Perguntar de novo, não!!!
- Gata, você não tá entendendo. Já são mais de 9 da noite e estamos duas perdidas numa noite suja.
- Putz.


Mais uma vez pagamos o mico de pensarem que éramos um casal de gatinhas-que-se-curtem. Finalmente avistamos o enorme letreiro em néon piscando desesperadamente "Castle Motel" pra todo lado. Ufa!!! Como chegamos tarde (a festa começava às 18h), não tinha mais vaga dentro. Ou seja, ainda rolou o mico de entrarmos a pé no motel, com um funcionário nos guiando. Pensem!!! Só faltava mesmo a gente se perder lá dentro. Aí já ia ser demais...

A festa foi bem interessante. Três andares com direito a dois quartos com cama redonda (uma delas com colchão de água... deveeeeras divertido), telões passando filmes imorais (adoro esse termo!), bartenders servindo drinques exóticos, mesa com comidinhas baianas (com muito axé, segundo o aniversariante), música boa rolando e muitas gargalhadas. Foi bom pra descontrair. Todo mundo batendo papo e vivendo aquele momento lindo. Mas como eu e minha amiga somos mocinhas recatadas, antes de meia-noite estávamos em casa. E intactas, tá?? Risos. Afinal, era um domingo e a segunda-feira já estava querendo dar notícias de vida.

Beijinhos de moça perdida mas que não se perdeu numa noite sórdida.

PS. Alguém sacou a brincadeirinha da imagem que eu coloquei??

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Segunda-feira, Janeiro 10, 2005



Uma vaca de presépio. É nisso que vou me tornar se não fechar a boca e parar de comer tudo o que me aparece. Mais que isso. Namorada do Rei Momo no carnaval talvez seja mais adequado. Ou Dona Redonda, de Saramandaia. Muito prazer.

Esse final de semana foi de lascar. Comi horrores pelo ano inteiro. E ninguém merece ficar gorda e perder as roupas porque elas se recusam a entrar em você. E quando entram, não fecham. Isso não é lindo. Definitivamente.

Sexta-feira saí da tv e fiz um lanche antes de ir pro cinema (assiti "Abraço Partido", um filme argentinho bem bonitinho). Passei na Mc Donalds, aquele lugarzinho infame que não tem nada que valha a pena. A não ser os brindes do Mc Lanche Feliz. Eu não gosto da Mc Donalds. Raramente vou lá. Sempre acho que comi um bujão de gás de tão empanzinante que a comida daquele lugar é. Mas fui levada por um outdoor anunciando "Saladas e muito mais". Lanchonete-heavy-food querendo ser light. Sonha Alice¿

Pois bem. Pedi uma promoção que vinha um sanduíche de frango grelhado (mas o frango que parece um nugget gigante é muito mais legal de bom), uma mini saladinha e água de coco. Isso mesmo. Jurei amizade querendo ser tropical. A salada tava boa mas não deu nem pro começo de tão pequena. O sanduíche tinha gosto de enlatado (afinal, é Mc Donalds, né?) e a água de coco não estava gelada e era meio azeda. Tudo bem, depois do cinema resolvi ir comer um Kibeirute em algum lugar...

Sábado foi dia de churrasco. E antes que alguém venha dizer "em churrasco a gente nunca come direito", vou logo dizendo que nesse eu me empanturrei. Mrs. Aviani se formou e comemorou fazendo essa orgia gastronômica na casa dela. Minha amiga agora é "fodógrafa" profissional. Parabéns pra ela e seu mega-over-power-plus-mico-registrator-tabajaras. Aquela lente não deixa nada escapar. Era tanta comida, tanta carne, tanto tudo que eu devo ter engordado ali uns 2 quilos. O churrasquinho-ou-churrascão-now foi uótmo!!! Pessoas incríveis, comida e bebida pra um batalhão, som de primeira qualidade. E muitos risos.

Domingo acordamos com uma bela macarronada preparada pela Tia Gente Fina, mãe de Mrs. Aviani. E tome macarrão pra dentro. E com salada que é pra ser saudável pelo menos um pouquinho. Depois de traçar um prataço de massa, fomos pra onde??? Pra uma feijoada. Pensem!!!

Isso mesmo. Um grande amigo que tá morando no Rio resolveu mostrar seus dotes culinários nos presenteando com uma deliciosa feijoada. Lá estávamos nós de novo, cercada de gente bacana, música boa e muita comida. É claro que quando o feijão foi servido, nós duas já havíamos digerido o macarrão e almoçamos de novo. Affe credo!! Mas tava tudo de bom nessa vida. E depois, como de praxe, fomos de novo comer um kibeirute em algum lugar. Meu estômago é como Rexona: sempre cabe mais um.

Hoje foi dia de almoçar com Dédi e ouvir ele me dizer que eu estou muito gorda. Acho que a gente precisa ouvir essas coisas pra criar vergonha na cara. No meu caso, a vergonha está na minha cintura e na minha bunda. Duas coisas que não param de crescer na minha pequena pessoa.

Pois é gente, agora eu vou ser uma mulher que faz dieta. Ou pelo menos que tenta. Que promete. Que jura. Não dizem que segunda-feira é sempre dia de começar um regime? Vamos a ele então!! Porque até agora eu só fiz a dieta dos líquidos: refrigerante e muita cerveja. E isso só se transforma no que não deve na minha redonda silhueta.

Pronto! Vou colocar em prática de novo o Projeto 4M: Mayra Mulher Malhada e Malvada. Alguém aí se habilita??

Beijinhos de boca carnuda e bochechas redondas.

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


Segunda-feira, Novembro 29, 2004

Post de 19/11/04

Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...



O dia de ontem foi recheado de momentos (nem sempre lindos) que eu vou ter que contar aqui. E aviso logo que o post está gigante porque a vida É FEITA de momentos.

Momento bem-que-eu-tentei:

Tinha jurado pra mim mesma que hoje começaria a caminhar de manhã cedo, antes de ir pra UnB (Projeto ¿Gordura sai deste corpo que não te pertence¿ em ação). O despertador tocou às 6h30, eu acordei e, simplesmente, foi mais forte do que eu. Não, amigos. Eu não consegui me levantar da cama. Muito por cansaço e também porque achei de ficar deitada refletindo sobre a vida (de olhos bem fechados, óbvio) até a televisão ligar pra me avisar que tava na hora de me arrumar pra sair (é que eu ando tão preguiçosa que agora programo o despertador, a tv e o rádio para ligarem em momentos diferentes para que eu não perca a hora... risos.. nem sempre adianta).

Momento não-quero-um-banho-de-chuva-nem-quero-navegar:

Fui pra UnB (mesmo que a contragosto). Acabada a aula, tive uma surpresa e tanto. É lóóóógico que depois de um longo período de descanso, São Pedro e Murphy resolveram matar a saudade e curtir com a minha cara (vai começar tudo de novo). Estava caindo um toró de matar. Daqueles que você têm a certeza de que o céu vai cair na próxima briga de Santa Clara com o marido dela (São Pedro, no caso. Mas esse affair é uma teoria minha...). Olho e vejo que não me encontro numa situação muito favorável pra ir até meu carro no estacionamento. Primeiro lembro que cheguei atrasada e estacionei perto do raio que o parta. Segundo que estava de saia e sapatinho-bonitinho-do-tipo-que-faz-blosh-quando-molha. Terceiro que meu guarda-chuva tinha ficado dentro do carro (que dúvida!!). Quarto que saí com tanta pressa que esqueci de levar a pasta plastificada e não tinha como proteger meu livro do Gabriel García Márquez. Oh céus! Oh vida! Oh azar!!! Encarei o dilúvio e cheguei no meu carro parecendo um pinto molhado. A chuva derreteu a porcaria da cera que eu tinha passado de manhã no cabelo. Fiquei toda grudenta. Minha blusa tinha um decote que mais parecia uma poça d¿água. E meu sapato, logicamente fazia blosh-blosh-blosh a cada pisada. Uma beleza de se ver. Melhor ainda foi lembrar que meu carro NÃO tem desembaçador no vidro. Pensem!!

Momento nessa-longa-estrada-da-vida-vou-correndo-e-não-posso-parar:

Me senti a própria motorista do Anfibius-da-Estrela (pedi pra me buscar em São Paulo, e não pra dirigir um) e encarei um verdadeiro teste da minha capacidade de dirigir na chuva. Uma vez aprendi que a gente nunca deve frear quando tem muita água embaixo do carro, senão ele faz blurp e suga tudo. Não sei bem o que rola, pois me explicaram assim (tipo ¿blurp¿ mesmo). Só sei que o carro pára e você fica lá, com cara de otária, atrapalhando todo o trânsito. Mas não, isso não aconteceu comigo porque sou bem espertinha e aprendi direitinho como evitar esse mico, mesmo achando às vezes que estava numa pista de gelo, de tanto que o carro deslizava.

Momento vi-vim-e-venci:

Entrei na tv desarvorada, pois o trânsito estava o caos, meu sapato estava o caos e meu guarda-chuva também não colaborou muito. Agora, mais caos ainda, estava o meu lindo-e-quase-loiro cabelinho... dava pra fazer uma paçoca com ele, tamanha farinha que se tornou. Quase aceitei a proposta do maquiador de fazer uma escova progressiva... risos. Affe!!

Momento putz-Murphy-agora-você-apelou:

- Mayra, vai ali na administração pra assinar sua carta de demissão. Estão chamando.
- Hã?
(Com cara de susto).
- É, isso mesmo. Olha a minha aqui.
- Hãããããããã?
(Agora com cara de bocó).
- É. Caaaarta de demissããããããão. (Tipo a peixa Dory falando baleiês, em Procurando Nemo, tá?).

Aquilo me soou tão estranho aos ouvidos que resolvi ir verificar. Como assim eu recebo uma notícia dessas à queima-roupa?? Como assim me mandaram embora? Será que sou fedorenta? Meu cabelo tava tão feio assim??? Só digo o seguinte: era verdade. Mas antes que alguém se apavore, a tal carta de demissão era só um aviso de que a empresa pra o qual eu trabalho (sou terceirizada) rompeu o contrato. Isso significa que sim, fomos TODOS "demitidos" (pensaram o que?? Que a fofa aqui tava com o desodorante vencido, é? Nananinanão!), mas teremos nosso contrato refeito imediatamente por outra empresa. Tá tudo tranquilo. O engraçado é que todo mundo estava rindo com a tal "demissão" que rolou (totalmente fake, já que não muda nada em nossas vidas e continuaremos trabalhando aqui normalmente!!). O deboche de avisar as pessoas é que era divertido: "e aí, já foi demitido hoje?". Risos... pelo menos não rolou aquela cara de ¿o que foi que eu fiz???¿. Ah, ainda teremos uma gorda indenização agora no final do ano por conta disso. Só espero que seja tão gorda quanto eu...

Momento gira-o-mundo-treme-a-terra-e-eu-na-pancada-do-ganzá:

Eu já tinha desistido do dia de hoje, honestamente. Achei que deveria era pegar o meu Anfibius e ir pra casa, pra não correr o risco de passar por mais alguma armação do Murphy. Mas acho que ele ficou com pena de mim... e colocou a Renata na minha frente me convidando pra uma cerimônia de premiação com show do Antônio Nóbrega depois. É óóóóóóbvio que eu topei. Eu adoro ele e achei que seria uma boa chance de tentar esquecer todas as mazelas desta quinta-feira. Aconteceu tanta coisa que mal sobrou espaço aqui pra falar do show... uma pena, pois foi a melhor parte do dia. Só posso dizer que a festa era uma grande homenagem às culturas populares brasileiras e foi maravilhosa. Até o Gil estava lá... como ministro, claro. Mas pra não me alongar muito, prometo contar os detalhes do show no próximo post (me cobrem!!). Ah, só pra constar: os show era de graça pra todo mundo. Perdeu quem não foi!!

Beijinhos querendo se livrar de tanta urucubaca!!!

Milk Shake batido por: MAYRA CUNHA (Shaku Anjyuu)


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